A Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB) manifesta preocupação
com o anúncio de corte no duodécimo dos poderes a partir de maio, em razão do
impacto na economia provocado pelas medidas de prevenção e combate ao novo
coronavírus (Covid-19). Ao mesmo tempo em que vem atuando sistematicamente na
proteção das pessoas hipossuficientes do Estado durante a pandemia, com
recomendações e ações judiciais que asseguram a efetivação dos direitos humanos
e das pessoas mais vulneráveis do Estado, a Defensoria Pública também tomou
medidas de contenção com a implantação do Plano de Contingenciamento de Despesas.
A Portaria 246/2020, publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) no
último dia 13 de abril, intensifica uma política de redução de gastos que já
vinha sendo adotada pela gestão desde o ano passado com o objetivo de manter o
equilíbrio orçamentário e financeiro da Instituição, que possui o menor
duodécimo entre os órgãos que compõem o sistema de Justiça.
O plano prevê, entre outras medidas, revisão de contratos; suspensão de
novos contratos de estágio; avaliação da necessidade de redução do quadro de
terceirizados; racionalização de materiais de almoxarifado e consumo (água,
energia e telefonia); contingenciamento dos investimentos na área de
consultoria técnica e aquisição de materiais de consumo; suspensão de locação
de veículos e novos imóveis, de diárias e de passagens aéreas; redução do gasto
com combustível em aproximadamente 30% em relação ao exercício anterior.
O anúncio de corte estimado em aproximadamente 7,7% provocaria um
impacto mensal de mais de R$ 500 mil no orçamento, impossibilitando, inclusive,
o fechamento da folha de pessoal.
Embora reconheça a gravidade da pandemia e a necessidade de ajustes nas
contas públicas, o defensor público-geral da Paraíba, Ricardo Barros, ressalta
que a Defensoria Pública não suporta qualquer redução dos valores duodecimais,
por não existir sobras de valores orçamentários. A Instituição, afirma, já
convive com um orçamento extremamente limitado e aquém das suas necessidades.
“Nós enfrentamos um congelamento no duodécimo da Defensoria Pública de
2015 a 2019 que nos coloca em uma situação de muita precariedade, inobstante
pela primeira vez o orçamento tenha sido corrigido para o presente exercício de
2020. De todo modo, isso representou uma redução de 21,4% do nosso orçamento
entre 2014 e 2018. Não por acaso os defensores públicos da Paraíba possuem o
menor subsídio do país”, ressaltou o DPG.
ATUAÇÃO NA PANDEMIA – Desde o início da pandemia, a
Defensoria Pública do Estado tem atuado energicamente na defesa dos mais
vulneráveis. “Tivemos que nos reinventar, implantando de imediato atendimentovirtual para viabilizar o teletrabalho nos Núcleos de
Atendimento”, pontuou o DPG.
Foi por meio de recomendações e ações impetradas pela DPE-PB que as
concessionárias de água e energia elétrica do
Estado suspenderam o corte no fornecimento de consumidores inadimplentes. Ação
semelhante ocorreu com as operadoras de telefonia, que também estão obrigadas a suspender o
corte em caso de atraso no pagamento da fatura. As medidas
valem enquanto durar o estado de calamidade pública no Estado, prorrogado na
última terça (21) por 180 dias.
Por meio da iniciativa do Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), a
DPE também conseguiu na Justiça a liberação de carência dos planos de saúde
para tratamento prescrito pelo médico no atendimento de
urgência e emergência, em especial os casos de suspeita ou contágio pelo novo
coronavírus.
Também foram expedidas recomendações em favor da população em situação de rua,
para que prefeituras adotassem medidas de acolhimento e higiene; das pessoas
idosas, com a recomendação de realização de exames para detecção da Covid-19 naquelas que vivem em instituições de longa permanência
- recomendação semelhante também foi dirigida ao poder público voltada aos agentes de limpeza
(garis); das pessoas com
deficiência, para medidas de amparo e proteção, além da
requisição de tradução em Libras e audiodescrição em
telejornais.
SELO DE RESPONSABILIDADE - No âmbito social, a DPE-PB
também criou o Selo Defensoria Pública de Responsabilidade
Social, que motiva empresas a contribuírem, por meio de doação, com
a proteção das pessoas em situação de vulnerabilidade e amenizar os danos
decorrentes da pobreza e da desigualdade social.