Dois meses depois, leu, por acaso, que o tratamento já era feito em Natal (RN). Procurou o centro especializado e três meses depois Wericles foi chamado para uma avaliação. Um ano depois, com aproximadamente 5 anos, foi contemplado com o implante e inciou uma nova vida, passando a ouvir, falar e se alfabetizar.Em outubro do ano passado, 13 anos depois, o pesadelo da surdez voltou a fazer parte da vida do jovem, quando o aparelho de alto custo quebrou. Nessa história de conquistas e vitórias ao longo dos anos, foi neste momento que a Defensoria Pública do Estado da Paraíba passou a fazer parte da vida de mãe e filho.
O aparelho chegou a ser enviado para São Paulo para avaliação, mas foi descartado, sem condição de recuperação. O custo do novo implante girava em torno de R$ 50 mil, um valor considerado muito alto para a realidade financeira da família.
“Logo que a gente soube que o aparelho não teria conserto, eu me senti muito mal porque ia começar a prejudicar a voz dele. Sem ouvir, ele fica muito isolado, não queria mais ir pra escola, queria ficar no quarto, sem fazer as atividades de rotina, como se estivesse depressivo, querendo chorar, tudo pela falta de uso do aparelho. Então aquilo doeu muito em mim, talvez mais em mim do que nele mesmo”, revelou a mãe.
EM BUSCA DA JUSTIÇA - “Damiana nos procurou muito desesperada, chorando muito, porque via o filho regredindo dia a dia sem o aparelho. Entramos com uma ação para obrigar o Estado a custear o novo implante e, felizmente, a ação tramitou de forma célere. Para a alegria de todos, ele recebeu o aparelho no mês passado e neste Dia das Mães terá todas as condições de homenageá-la sem a limitação dos últimos meses”, comemorou a defensora pública responsável pelo caso, Carollyne Andrade, da Comarca de Cuité.